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Maldição

25 de jan. de 2011 - não enviada por Camila Rufine 3 comentários
- O que vocês dois estão cochichando e rindo aí?
- Nada, não. Não é de você.
- Olha lá, hein. Se tirarem sarro de mim, amanhã o pipi de vocês irá cair...
- Ufa, então estou sossegado.
- Sossegado, por quê? Você não estava falando de mim ou não tem pipi?

Não ouse ficar na minha frente...

27 de dez. de 2010 - não enviada por Camila Rufine 4 comentários
Pois meu pai é barra pesada.

Hoje saiu o resultado de um concurso que fiz. Tirei o segundo lugar, mas é só cadastro de reserva. Horas depois de comunicar o meu pai da minha conquista, ele volta para o meu quarto perguntando se eu tinha investigado a procedência da menina que tirou o primeiro lugar:

- Ah, pai. Dei uma investigada, mas não achei nada.
- Então deve ser uma tonta qualquer.
- Pai, se ela é tonta e tirou o primeiro lugar, o que eu sou?!
- Nããão. Não tiro os méritos dela. Mas é que se não tem nada sobre ela, é que ela não tem muitas qualificações e isso é ruim, pois significa que ela está desesperada pela vaga.
- É. Assim como eu.
- O jeito é investigar melhor, descobrir onde ela mora... e mandar matar.


Obs: Se a menina do concurso aparecer morta, não tenho nada a ver com isso. Meu pai pareceu bem convincente ao rir inocentemente depois de sua afirmação, o que me levou a crer que ele tinha acabado de fazer mais uma de suas piadinhas e que eu não serei cúmplice de assassinato nenhum. Mas a ideia até que foi boa.

Tubafa

11 de ago. de 2010 - não enviada por Camila Rufine 6 comentários
No parquinho eu derretia sob o sol, enquanto observava o grupo de garotas a brincar de pirata e vigiava para que nenhuma tragédia envolvendo os meninos que eu cuido e a lei da gravidade acontecesse. Parei embaixo de um dos escorregadores para aproveitar alguns segundos de sombra, quando escutei:

- Tubarão! Tubarão! Tubarão!

Olhei para cima e vi, pela fresta da plataforma, o indicador de uma menina magricela que apontava para mim com os olhos esbugalhados. Não me contive e perguntei:

- Eu sou um tubarão?

Ela me fitou com um cinísmo quase adolescente e respondeu que sim. E continuou:

- Tubarão gigante, salve-se quem puder!

O resto da patotinha de meninas olhou para mim e começou a gritar desesperadamente. A garota magricela, que parecia ser a capitã do navio imaginário, passou a despejar ordens para as marujas, que começaram a correr para lá e para cá, como baratas detefonizadas. Eu estava desidratada demais para entrar no clima e simplesmente abstraí. Mas daquele momento em diante, toda vez que eu me aproximava do escorregador era o mesmo alvoroço. Até que as meninas foram embora.

Respirei tão aliviada pela desocupação do ambiente que me senti mais disposta. Então fui brincar com um dos 'meus' meninos, carregando-o nas minhas costas e dizendo:

- Pocotó, pocotó, eu sou um cavalo!

Mas a minha representação foi interrompida pelo garotinho que parou do meu lado para me corrigir:

- Você não é um cavalo. É uma girafa.

Leite, torrada e mel

9 de jul. de 2010 - não enviada por Camila Rufine 7 comentários

Aconteceu há 10 anos.

No carro, íamos minha mãe e eu. Ela estava muda, mas na metade do caminho resolveu arriscar:

- Filha, quem é Onêi?
- O Nei? O Nei é o pai, ué.
- Não, Camila. Onêi. H - O - N - E - Y.
- Honey?! Honey é mel em inglês.

Minha mãe desviou o olhar da estrada e me fitou, procurando por algum indício de mentira. Quando viu que eu realmente não sabia do que ela estava falando, começou a rir...

- Qual é a graça, mãe?
- É que seu pai viu isso escrito no espelho quando saiu do banho e me chamou, achando que era o nome de algum paquerinha seu. Ele ficou uma arara. Até me pediu para investigar tudo e contar para ele.
- Hahahahahahahaha...

Eu não conseguia parar de rir, mas me dediquei a lembrar o que poderia ser aquilo.

- Ah, mãe! Eu já sei. Tem essa banda que eu gosto, Roxette. Esses dias eu estava ouvindo a música durante o banho e escrevi "honey", pois tem isso na letra. E deve ter ficado lá quando o espelho embaçou novamente.
- Hummmm, entendi.
- Hahaha. Mas não conta para o pai que você sabe, que eu quero judiar dele mais um pouco.

Minha mãe, famosa por adorar pregar peças, não se opôs. Naquela mesma noite, após ter acabado de tomar meu banho, olhei para o espelho embaçado e não me contive. Desenhei um grande coração transpassado por uma flecha e escrevi "H e C" dentro.

Para a minha aflição, meu pai demorou ir tomar banho e após um tempo eu já tinha esquecido da brincadeira. Só fui lembrar quando, mais tarde, senti a casa estremecer com um grito furioso vindo do banheiro:

- MUIÉ, VEM CÁ. AGORA!

E minha mãe foi, já imaginando qual era o problema ao me ver gargalhando baixinho na sala de TV. Do lado de fora, não pude ouvir nada do que eles conversaram. Mas acho que ela lhe contou a verdade. Logo que a vi sair do banheiro, ela me deu um soslaio e um sorriso discreto. Minutos depois meu pai apareceu na sala, com o cabelo molhado, todo sisudo e de poucas palavras:

- Não quero conversa. Vai começar o jornal.


Capitu

11 de set. de 2009 - não enviada por Graci 5 comentários
Pagodeja, madrugada de quinta, muita bateção de pezinho 39 na base da mesa.

- Eu estava te observando de longe desde que cheguei. Seus olhos são diferentes... Tem um ar de mistério.

(Novidade, não é, Machadão?)

Linha branca

8 de set. de 2009 - não enviada por Camila Rufine 9 comentários
Conversando sobre eu ter conseguido o visto americano:

Mãe: A Camila disse que o cônsul era bonitão...

Pai: Verdade, filha?

Eu: Ô... era ajeitado, sim.

Pai: Nem quis ver o Brastemp, para conferir se não era melhor?