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Dosado

25 de ago. de 2010 - não enviada por Graci 2 comentários


Um sorvete de limão com calda de morango.
Uma colher para duas bocas gulosas.
Flores de ipê sobre o amor perfeito.
Cor de natal no agosto do desgosto.
Um homem sobre a carroça de lixo duas vezes maior que sua altura.
Uma igreja e suas duas portas fechadas.
A solidão como companheira no banco da praça.
Um diálogo íntimo com o tempo, para que ele não passe.

Gardenal

10 de mai. de 2010 - não enviada por Graci 4 comentários
“Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?”
( Caio Fernando de Abreu, Morangos Mofados)


Não, não há motivo.
Não quero que você venha me dizer o quanto a vida é linda e as possibilidades fantásticas, não me iluda. Hoje acordei bem, mas, sem perceber, a saliva azedou e fiquei amarga, pensando nesse zilhão de coisas que consegui ignorar ainda sob efeito analgésico e antiespasmódico.

Não foi a cerimônia no Exército ou o encontro com aquele ex que eu nem gostava. Não foi a chuva molhando meu pé que não esquenta. Não foi o e-mail não recebido. Não foi o salário baixo nem o almoço salgado, muito menos a batida de carro.

O problema, meu bem, sou eu, sempre foi, por que, afinal, esperar tanto de si e do mundo não pode ser normal, me diz, não é? Claro que não, pare com isso, te escuto dizer enquanto balança a cabeça e vira as costas, demência a minha assumir, loucura absoluta tentar explicar, insanidade esperar que você compreenda, eu sei.

Mas, acontece que, acontece sempre, não acontece, me diz, é possível? Não acontece e o tempo passa passa passa e quando percebo é inverno, a temperatura é menor que dez graus e estou ali de regata, observando os desenhos que deixei nas primeiras voltas, tentando largar todas as angústias aumentando a velocidade, arfando, o tempo passando passando passando faz quanto tempo já?

É tempo suficiente, me diz, chegou a hora de começar a fazer sentido ou eu é que não consigo ver, você sabe, me fale, ta voltando a doer mas eu não queria, dessa vez não. Tinha até esquecido como é, mentira, não tinha, estava fingindo até para mim mesma, mas não, não é suficiente, nunca é, desde sempre... Por quê?

Sei só que sobrou uma garrafa de vinho barato, alguns poemas gastos de Vinicius, uma dezena de diários e a procura que não cessa, mas, não corre, um pouco de saliva. Amarga.

Cápsulas intactas.

Desapego

1 de ago. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 5 comentários
Enquanto lavo a frigideira,
Admito: não foi assim, tão bom...
Preciso mesmo é de um coração de teflon.

Não se reprima

11 de jun. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 2 comentários
É claro que eu concordo com a idéia de que se o ser humano não entende ou não consegue colocar limites em si próprio, ele precisa ser coibido em prol do convívio e harmonia sociais.

As regras começam na família. Aqui em casa, por exemplo, minha mãe esconde (tenta) as caixas de chocolate para evitar a minha tentação, que é frequente. Certamente até os pais que não ligam de o namorado dormir no quarto da filha estipulam certas regras, como não ver o aspirante a genro andando de cueca vermelha livremente pelos corredores de casa. Mesmo nos sistemas mais simples e liberais, é preciso haver normas.

Limites também são estipulados nos outros grupos da sociedade, como na igreja, onde vamos de roupa comportada, como forma de demonstrarmos respeito e para não atiçarmos a luxúria, que é um dos pecados capitais. Bem como existem nas escolas e faculdades - como no laboratório de informática da universidade na qual me graduei. O computador de repente escancarava a tela vermelha escrita em letras garrafais e amarelantes: 'Acesso Negado!', denunciando a qualquer um a tentativa de infringir, conscientemente ou não, as leis de navegação da internet na instituição (A Graci que o diga, pois não conseguiu fazer uma pesquisa de Língua Portuguesa, devido aos termos 'pica' e 'pau', existentes em 'Sítio do Pica-pau Amarelo').

E eu preciso aceitar que, se é assim em todo lugar, não poderia ser diferente numa área tão caótica como a Internet. O Google deu pra implicar comigo e não me deixa vincular o link do nosso blog ao meu perfil no Orkut. Eu tento, de todas as formas, colocar o endereço do Não-enviadas nos campos status, quem sou eu, página-web e até na página de recados. Mas depois de alguns minutos aparece o maldito content suppressed, que porcamente traduzi como conteúdo reprimido. Desconfio que seja porque o link possui embutido ‘viada’ na palavra ‘enviada’ e o antispam dele deve ter entendido que eu pretendo propagar o preconceito. Se for isso, é um erro cometido por uma causa nobre e eu até respeito.

Mas acho que está bem claro que meu intuito aqui não é propagar preconceito nenhum e sim lutar contra os que ainda tenho. Por isso, aceitarei isso no embalo dos Menudos. O antispam pode até reprimir o conteúdo do que escrevo, mas não a mim. Continuarei não remetendo minhas filosofias rasas mesmo que os visitantes do meu perfil no Orkut não saibam da existência do Não-enviadas.


Por isso canta, dança, grita ô ô ô ô ô ô ô!


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Estados Unidos de Camila

8 de abr. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 4 comentários
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Querida Camila;

Sei que você não suporta mais a minha briga com aquela lá, mas já desisti de tentar negociar com ela. Então, por favor, me ouça. Falo-lhe como sua melhor amiga. Se você permitir que ela continue tomando as decisões por aqui, não terei outra escolha. Serei obrigada a redobrar a dose de remorso, carência afetiva e melancolia. Lembro também que se as coisas permanecerem como estão você será a mais prejudicada, pois se tornará a pessoa mais solitária do mundo.

Com carinho;

Camila-boazinha.


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Oi, Camila-malvada;


Odeio ser uma leva-e-traz, mas tenho um recado. A Camila-boazinha está ameaçando me deixar ainda mais triste, carente e com a consciência pesada se você não maneirar sua personalidade excêntrica. Ela também mencionou o fato de eu acabar sozinha no futuro e sei lá se quero isso pra mim. Obrigada por não fazer disso um escândalo.

Espero resposta.

Camila Rufine

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Fala, Camila!


Desculpe-me pela demora, mas só agora consegui parar de rir. Quer dizer que você considera mesmo a hipótese de ouvir o que aquela Sandy em forma de personalidade diz? Pois bem. Escolha. Ou ela manda, ou eu. Esse negócio de meio-termo só funciona em matemática. Alerto que se você a escolher, depois não adianta reclamar que não aguenta mais ouvir música ruim, estar rodeada de gente medíocre ou se sentindo burra. Me avise, quando decidir. E manda um beijo praquela sem-sal.


Camila-malvada, beibé.


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