De partida

30 de jul de 2009 - não enviada por Graci 1 comentários
Faz meses que não leio seus e-mails. Não me julgue como invasiva, só porque os li durante alguns anos. No máximo, consegui umas dores profundas, porque, por sorte, a maioria era spam. Mas acontece que agora nem lembro mais de entrar nos seus domínios eletrônicos.

Você continua lá, no passado, de onde não poderá sair para algo mais que um sorvete. Eu permaneço no mesmo lugar de sempre, sem saber em que pé da história estou. Ainda não parei para pensar no significado de meu esquecimento, apenas o percebi há alguns minutos e escrevi sobre, para... Não me peça motivos específicos. Continuo efêmera e dicotômica, não precisa jogar isso na minha cara.

“E vivemos partindo, eu dela e ela de mim, enquanto breve vão-se os anos
Para a grande partida que há o fim, de toda a vida e todo amor humanos
Mas tranquila ela sabe – e eu sei tranquilo
Que se um fica, o outro parte a redimi-lo”

(Vinicius, talvez não literal, mas como eu me lembro, como eu me sinto comigo)

Lembra de mim?

- não enviada por CamilaRufine 0 comentários
Pensei bastante até concluir que não gosto da idéia que posso ser esquecida. Isso pode ser culpa do excesso de cuidados da minha mãe. Também desconfio do meu ascendente em Leão (maldita astrologia).

Bem... apesar de não ser uma pessoa essencialmente boa, no fundo sempre me induzi ao erro ao acreditar que meus pequenos e raros feitos altruístas perdurariam eternamente na memória das pessoas. Algo como quando uma adolescente bagunceira e impertinente resolve arrumar o quarto sem a mãe pedir. Trata-se de uma atitude tão única e bela para a jovem, que ela se esquece que não fez mais do que a obrigação e imagina que mudança impressionará tanto, que nunca mais seja preciso reorganizar o quarto novamente.

É assim que eu sou com todas as pessoas que convivo. Eu tenho rompantes de bondade, pieguice e companheirismo seguidos de longos períodos de apatia crônica. Dessa forma, confundo e machuco as pessoas, convencida de que qualquer excesso meu será entendido por elas como um charme da minha personalidade. Até que um dia elas se cansam da bagunça que reina aonde jaz o espírito de um quarto que foi arrumado só para impressionar,se mandam e não sentem a minha falta. Quando me dou conta disso começo a sofrer, procurando todas as maneiras possíveis de chamar a atenção sem parecer que eu estou fazendo isso propositalmente.

Então arrumo o meu quarto mais uma vez. Acendo até incenso (se a pessoa gostar de incenso). E convido para mais uma visita. Se eu consigo reconquistar a amizade (ou qualquer que seja a relação afetiva), após duas semanas - até menos que isso - já não noto a meia jogada no chão nem os farelos de biscoito e a toalha molhada em cima da cama.

Sou instável, bagunceira e preguiçosa e sobretudo burra por ainda questionar o motivo pelo qual eu não sabia manter as pessoas por perto ou por que meu telefone nunca toca às sextas e sábados à noite.

Ps: meu quarto está uma bagunça, mas procrastinarei enquanto eu conseguir manter a porta dos armários e as gavetas fechadas. Ou até a próxima crise de solidão.

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Comer, Rezar, Amar

12 de jul de 2009 - não enviada por CamilaRufine 3 comentários
São estas as experiências relatadas pela autora do livro que atualmente está sobre o meu criado-mudo; as três palavras que resumem o final de semana em família, e; os verbos que preciso aprender a conjugar - mentalmente e na prática - não necessariamente na mesma ordem de urgência.

Ps: E talvez não seja uma má idéia eu imitar o meu criado e ficar quietinha por uns tempos.

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Quase a ‘Dama da Noite’, de Caio

5 de jul de 2009 - não enviada por CamilaRufine 5 comentários
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– Opa, desculpa por ter te empurrado, moça.


(Já entendi que nesta festa lotada quase todas as meninas comem um caminhão de merda por você, enquanto o máximo que eu consegui até agora foi um doido-de-camiseta-rosa-e-nome-hilário-querendo-compromisso-sério e um baixinho-esforçado-que-usou-uma-cantada-que-ainda-não-entendi.

Aposto que você pensa, satisfeito, que seria um favor que me faria, caso chegasse em mim. E seria mesmo, pois eu adoraria ter a oportunidade de te dispensar, só pra desmanchar essa sua feição de quem não sabe o que é derrota. Mas se eu sou assim: orgulhosa, você é assim: sem brio. Então pare de ficar dando voltas supostamente despropositais em mim e esfregando essa camiseta polo listada no meu vestido, dando as cartas de um jogo que não quero participar.

Pois não foi para você que me vesti assim. Nesse lugar onde a grande maioria das gurias usa a bota pra fora da calça jeans apertada, escolhi minha sapatilha surrada, sob forma de protesto. E esse vermelho-ardente nas unhas e a aguardente no copo não são apenas tentativas de eu transpor essa muralha que construí entre mim e o mundo. São também artifícios para contrapor o frio – manifesto lá fora e latente aqui dentro do peito. Não sei dizer exatamente se foi a vida quem me deixou assim ou se fui eu quem transformou a vida nisso. Mas esse detalhe não lhe diz respeito.

O que vem ao caso é que vim parar nesse lugar cheio de gente que não admiro, ouvindo músicas que não aprecio e enchendo a cara para esquecer detalhes que não posso mudar, sabendo que homens como você não entendem, nem nunca entenderão essas sutilezas gritantes do universo das mulheres que pensam, sentem e sofrem.)


– Não foi nada...


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Pessoa com tequila

1 de jul de 2009 - não enviada por Graci 5 comentários
Madrugada, boate lotada, beijos e danças exóticas, conversa insólita.

Você gosta de Guimarães Rosa?
-Adoro.
- Eu tenho a obra completa dele.
(Olho intrigada, quieta, com cara de não sei o quê. Meio silêncio, meio riso.)

-Qual seu heterônimo preferido do Fernando Pessoa?
(Rio, com cara de completa descrença)
-Gosto bastante do Pessoa ele mesmo, mas também adoro Álvaro de Campos.
- Eu prefiro o Alberto Caieiro.
-Imaginei. Eu só não só muito chegada no Ricardo Reis, Antônio Prata (Olho ainda descrente, rindo).
-Antonio Prata não. Ricardo.

p.s.: alma gêmea?