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Um Animus para chamar de meu

1 de nov. de 2010 - não enviada por Camila Rufine 2 comentários
"Acordei de um sonho bom
Que eu queria gravar
Pra poder mostrar pra alguém
Que pudesse apontar

De onde vem esse anjo com quem sonhei?

Reconheço aquele olhar
E o que havia em volta
Mas se é tão familiar
Quero essa resposta

Quem mandou esse anjo com quem sonhei?
Diz pra mim..."
                                          (Gram - Sonho bom)


Dificilmente me acontece, mas quando tenho um sonho assim, fico o dia inteiro refletindo sobre suas possíveis interpretações. Sem saber o que é real e o que é ficção. Impressionada com a simbologia dos detalhes. Ainda mais quando o sonho procede uma fase punk de TPM e depressão temperada com uma ressaca dominical das bravas. Ainda mais quando é um daqueles sonhos que você tem certeza que já sonhou antes, ou que seja a continuação de um sonho antigo quase esquecido.


Acordei às 8h30 da manhã encantada com a doçura daquele anjo sem nome e de rosto desconhecido (muito embora familiar) que me escrevia cartas em códigos que só eu era capaz de entender. Que gostava de mim. Que tinha uma coleção de fotos nossas nas quais eu estava realmente bonita e feliz. Que, depois de um longo sumisso, me ligava de um telefone com DDD 23, cheio de novidades. Que tinha brigado comigo, era tão cabeça dura como eu, mas que tinha se arrependido, pois não conseguia ficar mais longe.


Estava tão seduzida pela ficção que tentei voltar a dormir, esperando continuar com o sonho, mesmo sabendo da tolice de desejar uma coisa tão difícil. Mas o sonho continuou, sim, me fazendo acordar ainda mais confusa. A mesma figura masculina, o mesmo sentimento de conforto por estar na presença de alguém que me fazia bem. Foi absurdo, mas ao mesmo tempo tão real que até chequei meu celular, ao levantar da cama. Se era um anjo, como na música do Gram, era um anjo muito charmoso, que corrigia minha pronúncia errada em inglês sem me fazer sentir burra e que me fez acordar sentindo uma felicidade estranha, quase impossível de tão simples.


*Animus: na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, são aspectos inconscientes de um indivíduo, opostos à persona, ou aspecto consciente da Personalidade. No inconsciente da mulher, esse aspecto é expresso como uma personalidade interna masculina: o Animus.

Balanço

2 de jun. de 2010 - não enviada por Camila Rufine 5 comentários
Zero filhos. Uma cicatriz de piercing. Duas graduações universitárias. Três amores incondicionais. Quatro cores diferentes no cabelo. Cinco, dos doze apóstolos. Seis temporadas de Lost. Sete Copas do Mundo. Oito meses fora do país. Nove quilos para eliminar. Dez é o número que eu calço nos Estados Unidos. Onze e onze: a hora que sempre vejo no relógio. Doze amigos de alma. Treze itens pendentes na lista de 30 coisas para fazer antes dos 30. Quatorze dias para o primeiro eclipse lunar do ano. Menos de quinze dólares no banco. João Roberto morreu aos dezesseis. Dezessete páginas lidas sobre o criado mudo. Meu recorde: dezoito pedaços de pizza. Saudade dos Dezenove. Vinte anos lendo e escrevendo. Vinte e um dias de silêncio. Vinte e duas milhas distante. Vinte e três dias dos namorados sozinha. Vinte e quatro puxões de orelha.



If I only knew the answer
If I change my way of living
And if I pave my streets with good times
Will the mountain keep on giving?

And if all of our days are numbered
Then why do I keep counting
?

Escombros

2 de jun. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 4 comentários
A maneira exata de pronunciar um sobrenome. Algumas fotos 3x4. Inúmeras folhas com nomes sobpostos por ‘Sapino’: Saudade, Amor, Paixão, Inveja, Namoro ou Ódio? Uma jaqueta marrom escrita Phoenix. Um violão no coral da igreja. Jogos de basquete no pátio do colégio. Um dedo quase quebrado. A brincadeira da caneta: 'os espíritos não mentem'. Mas e se foram espíritos de porco? Uma foto do seminário. Esperar o sinal bater olhando pela janela. O copo da primeira cuba. Uma autorização datada de maio de 2003 para um Luau. I gotta have faaaaith. Tive e deu certo. Vingança boba, mas proveitosa. O seu casaco pra aliviar o meu frio. Bye. Os logs de mIRC colados na agenda. O sorvete carioquinha. O DVD do Jota Quest. Cartas manuscritas. E-mails gigantes. Cartões artesanais.Se eu tivesse um canudinho... Uma almofada vermelha de retalhos. Cócegas. Um chaveiro de urso-segurando-coração chamado Alface. Sorry, but It's over. I’m a creep, I’m a weirdo... Não, você é que era um. A culpa foi sua. O furinho no queixo. Jack Johnson. Smashing Pumpkins. Paixão instantânea. 2 calendários inteiros pra esquecer o sorriso rasgado, tão lindo. A gincal. Os olhos pequenos. Outro chaveiro – das meninas superpoderosas. As boatinhas de quarta-feira. Adeus. Sueca. Um celular perdido na minha casa. Uma gata branca. O perfume impregnado no meu pijama vermelho de inverno. Tudo, menos Ana Carolina. Algumas cenas de Nem Que a Vaca Tussa. Remédios para emagrecer. Segurança. Um videocassete. Insegurança. Chega. Meu aniversário. Mentiras e tequila. Sílvio Santos. Forrós. With or without you. Gaita. Basta. Uma saia que virou blusa. Flashes. A era do gelo. Colchão no chão. (Bombons nacionais. Um poema manuscrito. Uma pulseira hippie. Vida louca vida. Brincos de uma orelha só. Meus olhos da cor da fumaça. A saideira na sacada. Sinto muito, mas não é pra mim). Bombons importados. Frases feitas. Eu tentei, tentamos. Ano novo, novo caso. Uma guitarra. Um blues ou qualquer roquenrol. O allstar bem sujo. As estrelas e seus nomes. As madrugadas e seus dilemas. Annie Hall. Bhagavad-Gita. A menina que roubava livros. O primeiro cigarro. Querer ser o que não é não basta. Tchau. Sim, eu te ajudo a reconquistá-la... Agora tchau, de verdade.

Restaram estes pedaços, agora quase irreconhecíveis, de tudo aquilo que um dia acreditei ser amor - ou quase isso - mas que não teve estrutura suficiente para aguentar uma ventaniazinha qualquer.

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Às mocras, com carinho:

4 de dez. de 2008 - não enviada por CamilaRufine 6 comentários
É, meninas. Como diria seu Jammil (e uma noites): acabô-ô-uô-ôôô, a-ca-bou. Num piscar de olhos bem comprido, esses quatro anos voaram. E entre mortos, feridos, porres homéricos, conflitos existenciais, professoras babonas e militantes do movimento CDF, restou a nossa amizade-fodástica.

A história inacabada de cinco gurias diferentes que estão se tornando mulheres com personalidades próprias. Raridade hoje em dia, quando a maioria dos grupos de amigas parecem mais com sofás: todas de braços dados, com cabelos, roupas e idéias padronizados.

Lembram ontem, no nosso último Lulu, quando eu disse que não tinha parado pra pensar no depois? Pois é. Hoje eu pensei. Muito. E sabe qual foi a minha conclusão? Foda-se essa cidade fria e suas baladas estritamente sertanejas. Dane-se a Unicentro. À merda os bofes e relacionamentos-bem-ou-mal-resolvidos. Sentirei mesmo é a falta de vocês.

Da gargalhada e a cara de desprezo quando alguém faz alguma coisa patética, da Japa. Da Katy pedindo 'garçom, traga uma porção... de copos!'. Das festas-sem-rumo e das partidas de squash com a Sarinha. De fazer quase tudo ao lado da Jack...

Na verdade, eu não sentirei só falta das coisas boas. Com o passar do tempo, acharei lindos até nossos piores momentos. Os tombos nas festas. As brigas por divergência de opinião. As fofocas isoladas. As TPMs em conjunto...

Mas chega de pieguice. Nós nos veremos na formatura e deixarei pra lá o drama mor. Aí terei como culpar o excesso de bebida e algum cisco imaginário. E como não combina comigo ser sentimental, termino essa carta curta e grossamente.

Bem assim: tchau.

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