Mostrando postagens com marcador Prezado estranho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Prezado estranho. Mostrar todas as postagens

Quase a ‘Dama da Noite’, de Caio

5 de jul. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 5 comentários
.

– Opa, desculpa por ter te empurrado, moça.


(Já entendi que nesta festa lotada quase todas as meninas comem um caminhão de merda por você, enquanto o máximo que eu consegui até agora foi um doido-de-camiseta-rosa-e-nome-hilário-querendo-compromisso-sério e um baixinho-esforçado-que-usou-uma-cantada-que-ainda-não-entendi.

Aposto que você pensa, satisfeito, que seria um favor que me faria, caso chegasse em mim. E seria mesmo, pois eu adoraria ter a oportunidade de te dispensar, só pra desmanchar essa sua feição de quem não sabe o que é derrota. Mas se eu sou assim: orgulhosa, você é assim: sem brio. Então pare de ficar dando voltas supostamente despropositais em mim e esfregando essa camiseta polo listada no meu vestido, dando as cartas de um jogo que não quero participar.

Pois não foi para você que me vesti assim. Nesse lugar onde a grande maioria das gurias usa a bota pra fora da calça jeans apertada, escolhi minha sapatilha surrada, sob forma de protesto. E esse vermelho-ardente nas unhas e a aguardente no copo não são apenas tentativas de eu transpor essa muralha que construí entre mim e o mundo. São também artifícios para contrapor o frio – manifesto lá fora e latente aqui dentro do peito. Não sei dizer exatamente se foi a vida quem me deixou assim ou se fui eu quem transformou a vida nisso. Mas esse detalhe não lhe diz respeito.

O que vem ao caso é que vim parar nesse lugar cheio de gente que não admiro, ouvindo músicas que não aprecio e enchendo a cara para esquecer detalhes que não posso mudar, sabendo que homens como você não entendem, nem nunca entenderão essas sutilezas gritantes do universo das mulheres que pensam, sentem e sofrem.)


– Não foi nada...


.

Gregório...

27 de jan. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 4 comentários
Sempre que eu volto pra Campo Mourão eu vou pisando em ovos, evitando ruas e passando longe de possíveis pontos de reencontro com os piores mortos-vivos do meu passado. Mas mesmo com tanto cuidado, às vezes acabo me deparando com o inevitável. E quando isso acontece, é sempre o mesmo dilema: Será que eu finjo que não vi? Será que cumprimento? Será que essa pessoa se lembra de mim? Será que ainda está bravo(a) comigo? Será que ainda dá tempo de eu me esconder? Finjo autoconfiança ou simulo um infarto?

Sexta-feira eu fui na formatura do meu primo preparada para tudo, menos para encontrar você. Tudo bem que isso pode se dever ao fato de você não ter sido nada mais do que um fraco amor platônico de ensino médio ou de você ocupar o último lugar no ranking 'Qual a pessoa mourãoense que eu não gostaria de encontrar'. Mas não deixou de ser foda.

Depois que eu revi você, fui inundada por uma nostalgia-vergonhosa. Relembrei do período mais contrastante da minha vida. A época que eu saí de um colégio público no qual eu tinha vários amigos e pulava o muro da escola pra comer bomba de chocolate, pra entrar num colégio particular no qual eu era ninguém e lanchava no banheiro do colégio porque minhas únicas amigas me convenceram de que todo mundo zombava da gente. Lembrei-me que não tenho saudade daquela época e que, diferente do Humberto Gessinger, se eu soubesse antes do que sei agora, erraria tudo totalmente diferente.

Incrível como uma pessoa com a qual eu nunca troquei nenhuma frase em toda minha vida tenha conseguido, sem querer, me tirar a concentração durante todo o resto da festa de formatura. E nem foi porque eu estava querendo um remember, Deus que me livre. Mas da mesma forma, obrigada por me fazer concluir que, apesar de tudo, na média, minha vida está bem melhor do que era.

Att.:


.

Olá, estranho barbudo

3 de set. de 2008 - não enviada por CamilaRufine 2 comentários
Boomp3.com

Acho você interessante. Sempre tive uma queda pelo low profile, o jeito desleixado, o soslaio de quem pouco se importa com o mundo e o ar de quem sabe muito mais do que desejaria saber. Chamou-me a atenção, mesmo que você seja, é... hã... baixinho.

E você? O que será que pensa sobre mim? Será que se lembra apenas quando me vê? Ou nem isso? Acho meio difícil tantos encontrões passarem despercebidos. Será que você também já traçou o meu perfil? Sou do tipo que você se interessaria ou odiaria? Será que me acha uma fútil ou percebe minha tentativa em ser muito mais do que um rosto bem maquiado?

Às vezes penso que sei tudo sobre você e então me dou conta de que nem sei qual o seu nome. Não te acho bonito, mas alguma coisa me diz que eu devia te conhecer. E isso me incomoda, pois ultimamente tenho andado um tanto quanto supersticiosa.

Talvez essa seja a maneira que eu encontrei de agregar valor às coisas inúteis, tão freqüentes. Uma esquizofrenia leve e inofensiva, que me faz acreditar que eu tenho poder sobre o mundo. Uma seqüela que me protege, logo após à minha última super-crise existencial. Pode ser qualquer outra coisa, só que eu decidi que pra mim, esse tipo de coincidência não podia ser só acaso [mesmo que a afirmação seja paradoxa].

Mas, droga! Perde toda a graça se isso tudo nunca tenha passado na sua cabeça. Seria uma decepção conversar com você e descobrir que você acha que consegue viver fora do mundo capitalista só porque não consegue comprar um carro. Mataria-me saber que você adora se entupir de drogas só para afirmar que faz isso para chocar a sociedade. Seria o fim eu entender que você é apenas mais um que não consegue dizer 'não' aos amigos, que compra personalidade nas lojinhas punks e que ainda teima que consegue ser diferente do resto do mundo.

Então, estou te escrevendo pra pedir que você se mantenha aí, sempre longe. Continue na sua, que eu permanecerei na minha. Me dê o benefício da dúvida. Melhor perder a chance de conhecer alguém muito bacana do que saber que só meu tamanho te chamou a atenção ou que, na verdade, você esteja só afim de uma amiga minha, assim como todos os outros caras pelos quais nutri sentimentos platônicos parecidos.

Tchau. Até o próximo encontro mudo, na universidade...


.