Para aquele que jurar me entender

5 de mar. de 2009 - não enviada por Graci 7 comentários
Eu escrevo para você que se diz compreensivo, em busca de um conselho. Não que eu acredite que um conselho vá me tirar do buraco de marasmo em que me enfiei, cada vez querendo um pouquinho mais de placidez, que eu adoraria escrever placidade. Estou descontente comigo e com tudo aquilo que não sou, concordo, por relaxo ou preguiça. Às vezes os dois juntos.

Eu gostaria de pensar em fazer algumas coisas e realmente fazer, não ficar só no plano.

Adoraria que cada texto que escrevi mentalmente tivesse ido para o papel ou para o computador.

Ficaria orgulhosa se tivesse me planejado com antecedência para fazer a inscrição na pós, ou se, simplesmente, eu já tivesse um currículo na plataforma lattes decente, sem pensar nas possíveis simulações que poderiam me tiram um pouco do lixo.

Estaria mais feliz se tivesse ligado para o entrevistado que meu deu o telefone celular ontem e inventado uma dúvida, só para ele também ter o meu número, e quem sabe... quem mesmo sabe o que seria se para cada um dos nãos que citei tivesse ouvido um sim?

Se você imagina, sabe ou tem certeza, me diga. Porque esta velha Graci aqui está cansada de se se sentir cansada e sozinha.

O mundo de 'sou filha'

27 de fev. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 11 comentários
Férias deveriam durar duas semanas. Tempo suficiente para matar as saudades da comida da mãe, do conforto do quarto (que agora é de visitas), de acordar tarde, recuperar as energias vitais e de começar a sentir tédio de tudo isso.

Mas a coisa se agrava quando as férias coincidem com o término da faculdade, com o desemprego, a falta de um namorado(a), a necessidade de voltar a morar com os pais (só até conseguir um emprego) e com a maldita crise mundial. É exatamente este o meu caso.

Passaram-se natal, ano-novo, carnaval, quarta de cinzas e nem sinal do tal emprego. E cá estou: dependendo do pai/mãetrocínio constantemente e devendo explicações de toda e qualquer atividade diária, retornando ao período da minha adolescência. Eca.

Perdi a conta de quantos currículos mandei, em quantos sites de empresa me cadastrei como estagiária, trainee, profissional e diabo-a-quatro. Estudei violentamente para um concurso que fui pateticamente mal e estou até repensando a possibilidade de ser babá na Cochinchina. Mas até agora, nada.

Meus pais já começaram a ficar irritados com a minha presença. Do nada, passam a jogar algumas coisas na minha cara e se zangam tanto quando fico em casa na frente do computador, como quando eu quero sair e me arriscar. Será que eles acham que eu estou feliz assim? Que é essa a minha vontade ser um peso? Ou eles estão só putos com a Fátima Bernardes por ter dito que a crise mundial vai durar mais uns dez anos?
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Guardanapo

23 de fev. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 3 comentários
Amy, toca 'Stronger than me'.

Valeu

Mensagem de texto

15 de fev. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 5 comentários
Hoje vi uma estrela cadente.
Fiquei em dúvida se pedia para passar no concurso ou para gente dar certo.
Tomara que eu tenha feito a escolha certa.

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Não enviada bem antes do blog...

10 de fev. de 2009 - não enviada por CamilaRufine 4 comentários


Guarapuava, 03 ou 04 e abril de 2006.

Formalidade nunca foi e dificilmente se tornará uma característica minha. Porém, penso que não combina misturar interjeições pré-pós-adolescentes, um monte de pontos de interrogação e exclamações cheias de conotações emotivas com um conteúdo nada emocionante, nada empolgante e nem tampouco motivado. Na verdade, deveria me importar pouco com forma e conteúdo, já que essa é uma carta suicida.

Mas antes de ter um treco, ria. Estou mandando! Não me mataria. Minha vida pode estar a inhaca que for, mas já sou inútil demais para acabar com ela, carregando uma fama de ter sido inútil e ainda por cima covarde.

Chame a mim de melodramática se achar que esse adjetivo me cabe. O que mais sinto falta nos últimos tempos é justamente de adjetivos. Sejam eles pejorativos ou não.

Respondendo à pergunta da sua carta [Que carta? Deve ser a Graci!], mentiria se dissesse que estou bem. Mentiria o mesmo tanto se eu escrevesse que estou mal. Há uma lacuna esperando pra ser preenchida desde que nasci e só agora percebi. Talvez eu tenha teimado em negá-la, escondendo-a atrás de brincadeiras irônicas, do otimismo forjado e do sorriso-amarelo-claro (que sonhava em ser branco).

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Socorro. [Parodiando Arnaldo Antunes, Camila?] Não há dor e não há prazer. Não há amor e não há ódio. Não há saudade, nem perspectivas. A vontade de calar e de gritar se confundem. Nada parece estar certo, nem tampouco errado... Não quero que continue assim, mas não tenho forças pra mudar.

Então eu como o maior número de calorias possível, até que dôa o estômago. Assim sinto-me cheia de alguma coisa. Mas depois volto a ficar deprimida, pois sei que muitos me olharão torto quando as minhas roupas voltarem a não servir mais.

Não quero ser uma inútil-fracassada-e-gorda. Também não quero mais ser um peso financeiro para meus pais. Oscilo a gula-extrema com regimes paranóicos. Aí, a minha vida passa a ser contar calorias. Mas só até eu cair na promiscuidade alimentar novamente.

Também oscila entre 8 e 80 a minha vida universitária. Me empolgo, num primeiro momento e depois volto a me decepcionar com tudo: gente burra, professores toscos e falta de respaldo metodológico. Mais uma vez me tiram o chão e lá estou eu, novamente deitada no chão do meu quarto, chorando.

[Estava relendo as cartas que a Graci me enviava, quando achei essa uma, que parece ser uma das que eu não enviei para ela, mas também não joguei fora. E eu nem sabia da existência do termo 'bipolar'.]

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